O essencial da vida
agosto 23, 2019

 

Existe algo fundamental em um evento de lançamento de livro, além da obra, do autor, do público e de algumas canetas. Sim, é o Post-it, aquele pedaço de papel pequeno, colorido, colante e mágico.
Conheci sua utilidade em 2006, pouco antes de lançar meu primeiro trabalho editorial. Um amigo, experiente no setor, fez o alerta.
 
– Não se esqueça de levar o Post-it.
 
Intrigado com a curiosa sugestão, perguntei o motivo.
 
 – O responsável por vender o livro anota previamente na cola o nome da pessoa que vai receber a dedicatória. De preferência, em letras de fácil identificação.
 
Se surgir um sobrenome mais elaborado, não haverá necessidade de pedir, na frente de todo mundo, que seja soletrado.
 
Também evita situações constrangedoras, como aconteceu no futebol. Consta no rol das lendas que um jogador famoso foi abordado por um torcedor na saída do treino. O fã queria um autógrafo em sua camisa.
 
– Como você se chama?
 
– Washington.
 
Diante da dificuldade para redigir a palavra e atender o pedido do garoto, pensou em uma solução rápida para resolver o problema.
 
– Tem apelido?
 
– Sim, é Schumacher.
 
O que já era ruim, piorou de forma assustadora. Para não passar vergonha na frente de todo mundo, o craque escreveu uma mensagem singela:
 
– Um abraço. E assinou.
 
Até considerei um pouco exagerada a advertência do meu amigo, mas fiz realmente como sugerido e, qual a surpresa, a tática funcionou além das expectativas. Não tive nenhuma dúvida e fiz todas as dedicatórias solicitadas com precisão.
 
Nos anos seguintes, adotei essa prática. Na preparação para a noite de autógrafos, o Post-It sempre recebeu atenção. Com o correr dos anos e a conquista de alguma experiência, no entanto, relaxei e abri uma perigosa brecha.
 
No lançamento do 10º título, não levei papel. No meio da jornada, uma tia querida da minha mulher veio até mim e pediu uma dedicatória. Eu estava emocionado com o apoio dos leitores, a presença do público e o carinho dos parentes e dos amigos.
 
Pensei por alguns segundos, conversei para tentar encontrar a resposta à minha dúvida e fixei o olhar para forçar o cérebro a funcionar. Não me lembrei como ela se chamava. Nem cogitei a saída de perguntar seu apelido.
 
Contei o que estava sentindo, pedi desculpas pela falha e fiz um texto especial na sequência. Por sorte, não cheguei ao extremo de um amigo, que esqueceu o nome da própria mãe no lançamento de seu livro.
 
Para evitar problemas, a partir de então guardei uma caixa de Post-It em casa. Mas, na dúvida, receba um abraço carinhoso do Raul Marques.

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