Fazer o que é certo

O último desejo
fevereiro 28, 2018
Lembranças dos outros
fevereiro 28, 2018
Uma pessoa que conheço muito bem encontrou dinheiro na rua. Não é segredo: ficou muito feliz com o achado. Isso não acontece todo dia.
A quantia, diga-se, não poderia ser classificada como fortuna. No total, 55 reais. Uma nota de 50 e outra de cinco. Estavam devidamente enroladas.
No calor da descoberta, agradeceu aos deuses. A euforia se explica. Estava sem trabalho.
Em outras palavras, tropeçou em dinheiro, o que é fabuloso para um desempregado.
Mas começou a pensar.
Esperou parcos minutos no lugar da descoberta. Quem sabe, o dono surge do nada, reivindica a propriedade e agradece com um belo abraço.
Mas não apareceu ninguém. Nem mesmo pista ínfima ou dica importante.
As notas foram encontradas em uma calçada em frente a um muro.
Sem casa, sem gente, sem pedestre por perto.
O jeito foi colocar as cédulas no bolso e ir embora. No caminho para casa, no entanto, aquela voz, que alguns chamam de consciência, começou a ponderar.
Isso gerou questionamentos sobre a origem do dono do dinheiro, suas necessidades vitais do dia a dia e o destino que daria para a verba.
Antes mesmo de chegar a seu destino, traçou o plano. Trocou 55 reais por 20 litros de leite. Ainda emprestou algumas moedas para a boa ação.
Encontrou uma destinação honesta. A bebida foi entregue a uma instituição que cuida de crianças carentes. O bolso ficou vazio, mas o peito se encheu de alegria.